Título da Recopa Gaúcha não pode apagar monstrengo criado por Zago em Erechim

Foto: Ricardo Duarte (Inter)

Foto: Ricardo Duarte (Inter)

Lógico que pior seria perder a Recopa Gaúcha nos pênaltis. Iniciar o ano erguendo taça (mesmo que simbólica), antes de mais nada, afeta positivamente no fator psicológico do elenco colorado. Entretanto, não se pode esquecer que o adversário era o Ypiranga de Erechim, que briga para não ser rebaixado no Gauchão. Nem se deve omitir o motivo que fez o Inter sofrer contra um rival tão frágil: a escalação esdrúxula escolhida pelo técnico Antônio Carlos Zago, que não foi capaz de superar o adversário durante os 90 minutos, fazendo com que a equipe some apenas um ponto e continue em campanha sofrível no Estadual. A quem quiser se iludir, 2016 não bastou?

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Zago alterou três setores da equipe, improvisando Cuesta na lateral e abriu-se um clarão no lado esquerdo ofensivo colorado

Ao perder o atacante Carlos por uma fratura na mão, Zago fugiu do simples. Poderia ter colocado Roberson ou Valdívia, mas preferiu alterar três setores do time escancarando seu cobertor curto. Deslocou D’Alessandro, que havia atuado na última rodada mais recuado entre os volantes, para se somar a Nico e Brenner no ataque. No entanto, como o argentino atuava centralizado, abriu-se um clarão no lado esquerdo que não foi preenchido por ninguém. Nem mesmo Uendel, deslocado da lateral para o meio, conseguia subir por ali pois não havia companheiro por perto para combinar jogadas. Vale lembrar que sua improvisação no meio-campo vingou das outras vezes quando tinha a parceria de Carlinhos. Mas, sem poder contar com um lateral de origem, Zago promoveu a estreia do zagueiro Victor Cuesta como lateral. Bastaram poucos avanços pelo flanco para que o argentino escancarasse: é só um zagueiro, nada mais do que isso. Desenhado assim, torto, o Inter tinha enormes dificuldades em fazer a bola fluir, trocar passes e chegar à frente. Não concluiu sequer uma vez ao gol do Ypiranga – que, por sua vez, abriu o placar com Talles Cunha aproveitando a indefinição de Léo Ortiz em frente ao goleiro Danilo Fernandes. Um primeiro tempo para esquecer (ou jamais esquecer, afim de nunca mais repetir).

Com cada jogador na sua posição, Inter pressionou adversário e fez por merecer o empate

Com cada jogador na sua posição, Inter pressionou adversário e fez por merecer o empate

Pela monstruosidade criada, Zago se viu obrigado a voltar do intervalo com duas modificações. Por óbvio, tirou um dos zagueiros (sobrou para o vaiado Paulão), trazendo Cuesta para a função para qual foi contratado e devolvendo Uendel à lateral. Da mesma forma, D’Alessandro também foi recuado para ser o construtor do meio-campo, enquanto que Roberson ingressou no ataque junto com Valdívia (Nico López retornou ao banco). A alteração, obviamente, fez o Colorado melhorar e suplantar o próprio Ypiranga. Porém, faltava o algo a mais. Anselmo foi fixado à frente dos zagueiros e, como os donos da casa se recuaram para segurar a vitória, Dourado se viu obrigado a subir. Acostumado muito mais a desarmar do que construir, o volante abusou dos passes errados. A saída encontrada foi lançar Andrigo para executar pelo lado direito a mesma função que D’Alessandro desempenhava à esquerda. Pois foi através do camisa 20 que, em um cruzamento, a bola explodiu na mão do atleta da casa e um pênalti foi marcado. Brenner converteu, empatando o jogo e levando a disputa para as penalidades. O resto é confete! Mas não se pode esquecer que, antes da festa, a noite foi horripilante – tanto quanto a posição do clube na tabela de classificação do Campeonato Gaúcho.

 

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