Tem como acomodar Gata Fernández e Barrios no time do Grêmio?

Era quase unanimidade que, mesmo com o título da Copa do Brasil, o Grêmio tinha uma boa equipe mas faltava-lhe grupo. Com as contratações de Lucas Barrios e Gastón “Gata” Fernández, a direção com certeza reforça seu setor ofensivo – já que Renato ainda dispõe de Bolaños, Luan, Pedro Rocha, Everton e Fernandinho. Entretanto, ter tantas opções de ataque, não deixa de mexer com o imaginário. A pergunta que fica é: tem como armar um time com todos eles em campo? Aqui tentaremos acomodar os quatro jogadores de maiores “nomes” do elenco, utilizando como parâmetro a formação usada no segundo tempo do clássico Gre-Nal, quando Fernandinho empatou o jogo em chute de fora da área.

fernandinho grenal

Com quatro atacantes no segundo tempo do clássico, Luan e Bolaños trocaram de posição pelo lado esquerdo

Primeiro, é preciso entender que praticamente todos eles atuam na mesma faixa do campo – da meia-lua à grande área, sem cair pelos lados. Apesar de jogar com a camisa 10 às costas em Estudiantes e La U, Gata Fernández não é o armador clássico (ou “enganche” para seus conterrâneos). Em conversa com Hans Hott, da Tele 13 Rádio de Santiago, o jornalista inclusive revelou que a queda de rendimento e o rompimento com o clube chileno se deu quando o argentino passou a atuar pelo lado direito. Entretanto, pode ser testado na extrema-direita (onde Fernandinho foi utilizado no Gre-Nal, recuando Ramiro para volante, sua posição de origem). Na área, obrigatoriamente, Barrios. Atrás dele e pela extrema-esquerda, Bolaños e Luan podem inverter posições. Assim, seria uma espécie de 4-2-4 – com um dos atacantes recuando pelo meio para buscar a bola junto aos volantes.

POSIÇÕES EM QUE OS QUATRO JOGADORES ATUAM

ATAQUE GRemoi

– De Zagallo ao “falso 9”  

gremio 424

O 4-2-4 foi um sistema tático inventado em terras brasileiras. Ganhou notabilidade por ter sido utilizado pela Seleção Brasileira bicampeã mundial de 1958 e 1962. No entanto, só obteve equilíbrio graças a Zagallo, que como ponta esquerda, recuava para auxiliar na marcação do meio-campo. Mas a linha ofensiva era formada por atletas extremamente ofensivos: Garrincha, Pelé, Vavá e Zagallo. Antes que alguém diga que é coisa do passado e que hoje em dia é praticamente impossível fazer o mesmo, vale recordar a formação usada por Rogério Micale no inédito título olímpico. A diferença nesta comparação é que o time brasileiro não possuía uma referência, tendo os atacantes Gabriel Barbosa (“Gabigol”) e Jesus nas pontas, mas recuando para marcar a subida dos laterais adversários; enquanto que Neymar e Luan recuavam para fora da área, caindo entre a linha dos volantes e zagueiros rivais. Contudo, também era uma espécie de 4-2-4. Para por em prática no Grêmio, seria necessário uma troca constante de posições – com exceção de Barrios – a fim de confundir a marcação adversária. Mas, mais do que isso, para dar certo, será preciso que todos os jogadores se entreguem defensivamente – seja na pressão da saída de bola ou na recomposição pelos lados.

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A origem do 4-2-4, com Seleções de 1958 e 1962, e o sucesso da Seleção Olímpica de 2016 com quatro atacantes podem servir como referência

 

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