Sem Luan, Grêmio fica dependente dos cruzamentos e vê rendimento cair

Foto: Lucas Uebel (Grêmio)

O que muda no Grêmio sem o Luan? Ele é o melhor jogador do Brasil. O que muda no Barcelona sem o Messi? Cada um na sua proporção“. A frase é do técnico Renato Portaluppi. Quem sou eu para desmentir? Embora pareça exagerada, a análise tem seu fundo de verdade. “Cada um na sua proporção”, é claro! Ocorre que não há nenhum jogador no elenco gremista com a mesma capacidade técnica e movimentação do atual camisa 7. Serve de consolo o fato de ele não ter sido vendido para o futebol russo, e que em breve pode retornar do departamento médico. Entretanto, desde que o meia-atacante sentiu lesão na coxa, o rendimento tricolor despencou.

Muito tem se falado sobre a queda abrupta de rendimento do Grêmio no returno do Brasileirão. Para entender, basta relembrar qual foi a última vez que Luan atuou no campeonato nacional: 19ª rodada, na vitória de 2 a 0 sobre o Atlético-MG, quando o time de Renato encerrava o turno em 2º lugar, com aproveitamento de 68,4%. Sem ele, foram 7 jogos, com aproveitamento pífio de 29,17% (o que deixaria a equipe no Z-4, em 17º lugar, considerando apenas o returno). Não é coincidência, é fato! De lá para cá, a função de armador foi executada por 5 jogadores diferentes: Lincoln, Léo Moura, Ramiro, Patrick e Jean Pyerre. Ao mesmo tempo em que o aproveitamento desabou, aumentou o número de cruzamentos. Das 6 bolas cruzadas para a área rival (4 erradas) em toda a partida contra o Atlético-MG, o Tricolor chegou às 35 contra Chapecoense (31 erradas), e 25 na última derrota para o Cruzeiro (21 erradas). Confira no gráfico abaixo
disponibilizado pelo site Footstats.

Gráfico mostra o aumento no número de cruzamentos desde que Luan passou a desfalcar o Grêmio

Analisando separadamente os últimos jogos do Grêmio com e sem Luan, por Brasileirão, Copa do Brasil e Libertadores, os números ficam ainda mais gritantes. Sem o camisa 7, foram 135 cruzamentos em seis jogos (média de 22,5 por jogo). Com ele, foram 91 (média de 15 por jogo). A leitura é simples! Nenhum dos jogadores testados por Renato apresentou a mesma capacidade de flutuar entre as linhas de marcação dos volantes e zagueiros, municiar os companheiros de ataque e infiltração na área rival. Sendo assim, a saída quase que inconsciente do time é buscar os lados do campo e cruzar – o que nem sempre representa chance de gol. Uma boa alternativa para o Grêmio seria alterar seu esquema tático, saindo do 4-2-3-1 para outro que possa explorar o atual modelo de jogo que busca mais os flancos do que as triangulações pelo meio (como o 4-1-4-1, 4-4-2 ou 3-6-1). Penso que o prudente seria ensaiar um Plano B, mas Renato vive uma sinuca de bico. Os médicos lhe asseguram que Luan estará de volta até o confronto com o Barcelona de Guayaquil, pela semifinal da Libertadores. Por isso, o treinador mantém o sistema, tentando descobrir no plantel um ‘novo Luan’ até que o verdadeiro retorne do estaleiro. Quem diria que o jogador muitas vezes vaiado pela torcida gremista, chamado de ‘soneca’ e ‘displicente’, faria tanta falta ao Grêmio, hein?!

1 Comentário

  1. estadioproprio 12 de outubro de 2017 Reply

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