Recuar Rodrigo Dourado para zagueiro seria um absurdo?

Foto: Ricardo Duarte (Inter)

A ideia foi apresentada por Ribeiro Neto no programa Os Donos da Bola. O próprio volante colorado respondeu em entrevista coletiva nesta terça-feira: “Estou à disposição do Guto, mas tenho certeza que não será preciso. Se não tivesse jogadores à disposição, mas têm excelentes jogadores para atuar nessa posição”. Uma improvisação só se explicaria pelo fato de que os outros zagueiros do elenco (Ernando, Danilo Silva e Léo Ortiz) não inspiram confiança. Além disso, manteria Charles como primeiro homem do meio-campo após boa atuação contra o Juventude, apesar da derrota. Contudo, não parece ser o pensamento do técnico Guto Ferreira. Entretanto, se quisesse fazê-lo, não seria um absurdo completo.

Sem querer comparar a qualidade técnica entre os jogadores, mas apenas as circunstâncias. Pep Guardiola transformou dois volantes em zagueiros em seus clubes anteriores. No Barcelona, foi o argentino Mascherano; no Bayern de Munique, o espanhol Javi Martínez. Ainda poderíamos citar a Seleção Chilena de Jorge Sampaoli, que teve Gary Medel (de apenas 1,71cm) como zagueiro. Todos eles partiram do mesmo pressuposto: recuar um jogador com mais recurso técnico para iniciar a construção da jogada com a bola pelo chão desde a defesa. O desafio maior, claro, foi estabelecer o novo posicionamento destes atletas. Se alguém torcer o nariz para esta “modernidade”, lembro que não se trata de algo tão inovador assim: o meia Rijkaard, após passagem brilhante no Milan de Arrigo Sacchi, encerrou a carreira como zagueiro/líbero no Ajax que venceu a Champions League de 1995 (não jogou a final do Mundial contra o Grêmio em Tóquio). Se alguém bradar que isso é coisa de “gringo”, recordo a Seleção Brasileira de 1970, onde Zagallo perdeu o zagueiro Joel Camargo por lesão e se viu obrigado a abrir uma brecha para o volante Wilson Piazza atuar ao lado de Brito na zaga, deixando o santista Clodoaldo (jovem e com mais pulmão) executar a primeira função do meio-campo no tricampeonato mundial do México. Enfim, exemplos não faltam!

Com Rodrigo Dourado posicionado como zagueiro, Charles ocuparia a primeira função do meio-campo

A questão é: Rodrigo Dourado saberia desempenhar tal tarefa? Que Dourado não é Martínez, Rijkaard ou Piazza todos sabem. Porém, não terá de enfrentar os adversários que estes três citados enfrentaram. A exigência da Série B, onde os rivais atuam atrás da linha da bola e permitem ao Inter a construção desde a linha de defesa, é um ponto que encorajaria a experiência. Resta saber se o camisa 13 poderia ser um zagueiro. Até agora, isso jamais foi testado sequer em treinamentos. O primeiro passo é observar, nem que seja por alguns minutos, a desenvoltura do jogador nesta nova função. Aprovado no CT Parque Gigante, poderia ser lançado no Beira-Rio neste sábado contra o Figueirense. Pelo jeito, não acontecerá. Mas pensar nisso também não é nenhum absurdo.

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