Por que o Inter é tão dependente de Leandro Damião?

 

Foto: Ricardo Duarte (Inter)

Nas últimas temporadas, o Inter viveu a “D’Aledependência“. Ou seja, sem seu camisa 10, o time não conquistava os mesmos resultados. Neste ano, na disputa da Série B, a diferença não é tão discrepante assim: com o argentino, são 62,9% de aproveitamento; enquanto que sem ele cai para 55,5%. Porém, existe um outro atleta ainda mais fundamental em 2017. O empate em 2 a 2 com o Luverdense, onde Leandro Damião marcou os dois gols colorados, ajuda a exemplificar. A má notícia é que, no mesmo jogo, também se lesionou. E aí, se ele ficar de fora, o Inter consegue sobreviver? Do jeito que joga o time comandado por Guto Ferreira, não.

Até agora, foram 15 jogos com a presença do centroavante, tendo aproveitamento de 77,7%. Sem ele, o rendimento despenca para 49,1%. A diferença não se dá necessariamente pelos 8 gols marcados, embora sejam um fator considerável (praticamente um gol a cada duas partidas). A explicação está no modelo de jogo adotado pelo Inter. E aí rebato quem diz que não há mecânica de jogo no Inter de Guto Ferreira. Você pode até discordar da maneira que o jogo é praticado, mas há uma mecânica, sim! O Colorado é disparado o time que mais cruza bola na área rival: são 946 cruzamentos ao total, sendo que apenas 243 encontraram o destinatário. Por isso, não fica difícil explicar a dependência por Damião. Ele é o único centroavante de ofício no grupo! Quando esteve de fora, os substitutos se revezaram e nenhum aprovou: Nico López, um atacante de mobilidade e chute de média distância; Willian Pottker, outro atacante, mas de arranque e força física; e Roberson, o que há algum tempo se intitularia por ponta-de-lança. Além de nenhum deles ser um exímio cabeceador, também acrescentam pouco noutros atributos entregues por Damião. Na marcação-pressão à saída de bola rival, ganhando a primeira bola pelo alto ou fazendo a parede (quando Damião é útil ao segurar a bola para que o setor do meio-campo se aproxime do ataque depois de utilizar a ligação direta).

O Inter é um time que trabalha pouco a bola pelo chão, de pé em pé. Parece mais uma equipe de rugby, em que a maioria dos passes são laterais ou para trás, e a bola só vai para a frente à base dos chutões. A transição ofensiva colorada evolui em jardas. A exceção se dá pela individualidade, quando um atleta carrega a bola consigo, geralmente em contra-ataques – como Pottker, por exemplo. Para a Série B, basta! Ou pelo menos, tem bastado já que o time é líder, mas não se pode ignorar a pobreza técnica dos inimigos. Por isso, assusta pensando em 2018. Para os críticos do técnico Guto Ferreira, é um prato cheio. É inegável dizer que o Colorado melhorou com sua chegada – até mesmo pelo amontoado que era até maio quando Antônio Carlos Zago foi demitido. Porém, estagnou, bateu no teto. A questão que deixo no ar é: o Inter joga desta forma por insuficiência técnica do elenco, do comandante ou do certame?

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