O ótimo momento do Grêmio se chama Arthur

O Grêmio acordou? Se formos pela lógica do técnico Renato Portaluppi, sim. Já que ele citou “cochilos” e “nana neném” para explicar alguns sustos na Libertadores, e justificou a eliminação na semifinal do Gauchão através de um “deu mole“. Mas sabemos que futebol não se resume ao fator anímico. Se for só isso, o despertador que acordou o Tricolor atende pelo nome de Arthur. Ele é o diferencial na escalação das últimas apresentações – incluindo a excelente vitória de 2 a 0 sobre o Atlético-PR, fora de casa, neste domingo.

Arthur é disparado o jogador que mais acerta passes no Grêmio. No jogo de ida contra o Fluminense, pela Copa do Brasil, foram 75 passes certos – Ramiro vem atrás com 58. No Brasileirão (contra Botafogo e Atlético-PR), foram 108 – Léo Moura e Ramiro, com 80, dividem a segunda posição. Para traçar este paralelo, basta considerar a Libertadores, onde Arthur ainda não atuou como titular: os outros volantes, Michel e Jaílson, ocupam a 4ª e 6ª posições, respectivamente, entre os melhores passadores. Logo, Arthur vence “de goleada” neste quesito. Trata-se do moinho que move o meio-campo tricolor.

Arthur só não lidera o scout de passes certos na Libertadores, onde ainda não atuou como titular

Arthur só não lidera o scout de passes certos do Grêmio na Libertadores, onde ainda não atuou como titular

Estes números não fazem de Arthur nenhum fenômeno. Ele apenas é um jogador de alta movimentação e passe acima da média. Com isso, tem facilidade para ocupar os espaços vazios, recuar para buscar a bola junto aos zagueiros, tabelar com os laterais e se projetar para desaguá-la no ataque. Por isso, cansa – como citou Renato dia desses, ameaçando escalá-lo como meia armador centralizado. Quer dizer que só porque tem bom passe, tem que ser meia e não pode ser volante?! Bobagem! Que pensamento retrógrado! Para se ter ideia, Ramiro fez trabalho semelhante quando, a partir da lesão de Maicon, acabou deslocado para a função de volante, deixando o corredor pelo lado direito para um improvisado Léo Moura. Ali o time deslanchou, com goleadas sobre Veranópolis e Juventude. Mas e quando Maicon voltar, quem vai para o banco? Bom, mantenha-se ambos: Ramiro e Arthur. Michel, Jaílson e outros que esperem a sua vez. É isso ou o “nana neném” voltará a ser justificativa para explicar uma transição ofensiva falha.

1 Comentário

  1. Fernando 22 de maio de 2017 Reply

Adicionar um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *