O Inter precisa descobrir que não encontrará o Palmeiras na Série B

As lembranças do rebaixamento em 2016 ainda estão muito presentes no Beira-Rio. Por isso, após mais um empate decepcionante em casa pela Série B, o torcedor colorado protestou e clamou por mais raça dos jogadores. A pergunta comumente feita é: por que o Inter não consegue repetir a atuação que teve contra o Palmeiras, pela Copa do Brasil, diante de equipes mais frágeis, como o próprio Juventude enfrentado neste sábado? A resposta pode parecer estúpida, mas é óbvia: porque o Juventude não é o Palmeiras. Não quero dizer com isso que o time da Serra Gaúcha é melhor que o paulista. Pelo contrário! Por entender suas limitações técnicas, se recua e nega espaços que o outro, com mais qualidade técnica, acaba expondo. E ele não será o único a se comportar assim diante do Inter. O cenário da Segunda Divisão é completamente diferente e, assim, a postura tática e estratégia dos colorados também precisa mudar.

Guto Ferreira manteve o 4-1-4-1 de Zago, com extrema dificuldade de propor o jogo a partir do tripé de volantes: Edenílson, Dourado e Uendel

No primeiro tempo contra o Ju, o novo técnico Guto Ferreira deu continuidade ao 4-1-4-1 com algumas ideias do antecessor Antônio Carlos Zago – como Uendel no meio-campo e D’Alessandro aberto na extrema-direita. Acontece que, diferentemente do que fez o Palmeiras no meio da semana, o time caxiense se fechou em duas linhas de quatro, sempre atrás da linha da bola. Aí escancarou-se a dificuldade do Inter, que tinha a missão de construir ao invés de destruir para contra-atacar. Os papéis estavam invertidos. D’Alessandro, a principal referência técnica da equipe, precisava participar mais do nascedouro das jogadas, e não ficar estacionado entre o lateral-esquerdo e o volante rival. Sendo assim, cabia ao tripé de meio-campo a construção: Rodrigo Dourado (um volante essencialmente desarmador), Edenílson (um volante de infiltração) e Uendel (um lateral de bom passe e combinação de jogadas, improvisado no meio). De que jeito iriam romper a barreira do Juventude?

No 4-2-3-1, D’Alessandro (enquanto teve pernas) conseguiu distribuir melhor a bola e o Inter chegou ao seu gol

Percebendo a posse de bola improdutiva que possuía (quase 70%), Guto remontou seu time. Armou um 4-2-3-1, sacando Uendel e centralizando D’Alessandro entre atacantes de velocidade: Potkker e Carlos. Enquanto o argentino teve pernas e pulmões, o Inter funcionou – anotando seu gol logo no início do segundo tempo. A partir do momento que o jogador mais técnico da equipe faliu, o Juventude tomou conta da partida. Eis que apareceram os outros dois problemas colorados: o preparo físico deficitário e a ausência de um outro meio-campista no elenco. Para um time que precisa controlar a bola (e se propõe a isso na Série B, contra adversários retrancados), não basta ter só D’Alessandro no elenco. Sem opções no banco de reservas, Guto poderia ter resguardado seu meio-campo, colocando volantes pelos lados do campo para segurar o avanço do Juventude. Claro, o técnico estreante possivelmente seria chamado de burro e/ou vaiado ao sacar o camisa 10 para lançar um volante, mas ao menos teria segurado a vitória por 1 a 0. Se tivesse outro meia para reter a bola e dar sequência à proposta de controlar o jogo, a vida colorada seria bem mais fácil. Ou seja, Guto terá de cobrar a direção: para ser grande na Série B, precisa de mais armadores e controladores da bola no elenco.

2 Comentários

  1. jair Soares de lima 4 de junho de 2017 Reply
  2. Luis Felipe Ramos 4 de junho de 2017 Reply

Adicionar um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *