O Inter precisa de um engenheiro para 2018

Foto: Ricardo Duarte (Inter)

O acesso à Série A veio com duas rodadas de antecedência. Fosse no início do ano, eu diria que o Inter não fez mais do que sua obrigação e ainda complementaria: pelo orçamento investido, deveria ter conquistado o título que deixou escapar para o América-MG. Considerando o sofrimento em meio à temporada, com troca de treinadores e contratações de emergência, digo que o filme podia ter sido pior. Mesmo assim, não se iluda! A vitória de 2 a 0 contra um Guarani de sangue doce, sem mais nada a fazer na última rodada, não serve como parâmetro. Não quer dizer que Camilo pode ser o extrema-esquerda, que o esquema tático é o 4-2-3-1 ou que Odair Hellmann merece ser efetivado. Tampouco quero dizer que nenhuma das situações mereça continuidade. É preciso ter calma! Antes de mais nada, a direção precisa edificar um novo projeto para 2018.

Com Odair, Inter passou a jogar no 4-2-3-1, tendo Camilo aberto na ponta esquerda

 

Penso que Roger Machado era o nome perfeito para iniciar a próxima temporada. Inclusive, este era o pensamento de alguns no Beira-Rio que ligaram para ele logo após a demissão de Guto Ferreira. Conversaram sobre valores salariais, ideia de jogo, etc. O trabalho realizado pelo rival Grêmio, em 2015, servia como exemplo para o que o Inter buscava. Roger ainda ficou em dúvida, ligou para alguns amigos para saber como repercutiria na imprensa e na torcida gremista que lhe tem como ídolo desde os anos 90. Mesmo assim, ficou inclinado a aceitar o convite, chegando a negar entrevistas especiais para falar sobre a final da Libertadores. Acontece que esta direção do Inter ainda está presa ao passado. O presidente Marcelo Medeiros e o vice de futebol Roberto Melo trabalharam com Abel Braga em 2014, e sonhavam reeditar aquele trabalho que levou o Colorado ao 3º lugar do Brasileirão. Esperaram por Abelão, mas perderam Roger – que resolveu aceitar a proposta do Palmeiras (melhor para ele!). E agora? Abel sinaliza que vai permanecer no Fluminense – o que, sinceramente, é bom para o Inter. O treinador merece todo respeito e carinho da torcida colorada, mas está longe de ser a solução para 2018.

Aliás, colorado, esqueça a rivalidade! Olhe para o Grêmio. O time não chegou à toa ao título da Copa do Brasil e, até então, à final da Libertadores. O time pratica o melhor futebol do país há pelo menos duas temporadas. Renato Portaluppi deu continuidade à filosofia de Roger, aprimorando pequenas questões como bola parada e agressividade ofensiva. Mas de resto, tudo já estava lá: valorização da posse da bola, triangulações, amplitude, ultrapassagem, infiltração, pouquíssimos cruzamentos e lançamentos a esmo. É a antítese do que foi este Inter da Série B. Mesmo assim, se pensar no arquirrival lhe ofende, mire a própria história colorada! O Mundial de 2006 não caiu no colo do Inter de graça. Quando Abel Braga desembarcou em Porto Alegre há mais de 10 anos, encontrou uma equipe estruturada, entrosada. Naquela ocasião, Muricy Ramalho foi para os colorados o mesmo que Roger representou para o Grêmio recentemente (com filosofia de jogo diferente, é claro). Foram os engenheiros que tiraram o projeto do papel. Renato e Abelão deram os retoques finais à edificação. Portanto, cabe ao Inter encontrar seu novo engenheiro. É preciso olhar o passado, mas não necessariamente em nomes do passado. As edificações mudaram, o material humano é outro. Não há tempo para pensamento mágico. Ou então 2018 será uma repetição de erros recentes.

1 Comentário

  1. Rodrigo 25 de novembro de 2017 Reply

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