Não pode ser proibido substituir D’Alessandro no Inter

time inter 01Dos 29 jogos do Inter na temporada, D’Alessandro esteve em 22. Destes, atuou 90 minutos em 19 partidas. Ou seja, foi substituído apenas 3 vezes. Isso quer dizer que o camisa 10 está voando fisicamente? Ok, confesso que ele está bem melhor do que eu esperava. Membros da comissão técnica colorada inclusive elogiam sua preparação física desde a pré-temporada, onde ele puxava fila em Viamão. Mas também não quer dizer que ele precise morrer dentro de campo. Foi o caso deste sábado, quando o Inter não passou de um empate em 1 a 1 contra o frágil ABC, pela 2ª rodada da Série B, e o argentino “trotava” desde os 15 minutos da etapa complementar. O técnico Antônio Carlos Zago precisa dosar seu capitão. E, por incrível que pareça, de todas as vaias ouvidas no pátio do Beira-Rio, nenhuma delas usou este argumento.

Não peço a demissão do treinador (não faria isso com ninguém). Contudo, minha crítica é bem pontual: para 5 meses de trabalho, Zago deveria ter uma compreensão melhor do elenco que dispõe – e D’Alessandro se encaixa nesta falha de percepção. Já são 540 minutos corridos sem que ele seja substituído. Sei que é difícil tirá-lo. Primeiro, por se tratar da principal referência técnica do clube; depois, por representar a alma e vibração da equipe. Contudo, tem horas que é preciso abrir mão disso para ter um time com mais intensidade, mais pegador. Não quero ver D’Alessandro sentado no banco de reservas para Roberson, por exemplo. Mas alguns minutos de descanso farão bem à mecânica do time e principalmente ao meia de 36 anos. Era assim no River Plate, onde ele dificilmente atuava os 90 minutos. Por que no Beira-Rio é diferente?

Com D'Ale no tripé do meio-campo, a exigência física segue sendo grande, para que faça o vai-e-vem entre defesa e ataque

Com D’Ale no tripé do meio-campo, a exigência física segue sendo grande, para que faça o vai-e-vem entre defesa e ataque

Contra o ABC, Zago manteve o sistema tático, recuando D’Ale um pouco mais. No seu antigo posicionamento (aberto na ponta, partindo para o meio) o estreante Pottker complementou o trio de atacantes que ainda teve Nico López como referência e Cirino pela esquerda. Atrás deles, outro tripé: Dourado à frente da zaga, Gutierrez saindo pela esquerda e o argentino à direita. Novamente, ele foi o atleta que mais pegou na bola. Porém – até pela sequência desgastante dos últimos jogos -, sumiu de campo no minuto 10 do 2º tempo. Como já não conseguia acompanhar o alto ritmo dos demais, obrigou Pottker, William e Dourado a cobri-lo. A saída natural seria preservá-lo, colocando o volante Edenílson, de maior disposição e intensidade, em seu lugar. Mas Zago preferiu tirar Cirino e, posteriormente, até o chileno Gutierrez. Claro, é compreensível por ser a alternativa mais fácil. Eles não têm o cartaz do capitão e ídolo colorado. Mas é preciso deixar claro que não é proibido substituir D’Alessandro. Pelo contrário, às vezes é necessário. Antes que alguém cite sua ausência para explicar o rebaixamento de 2016, peço que contemporize: eram outros jogadores e outra filosofia de trabalho. Mas convido-o a lembrar que, em São Paulo, quando eliminou o Corinthians pela Copa do Brasil, o Inter não teve D’Alessandro à disposição. Classificou-se por isso? Não, mas teve um time que soube correr atrás da bola sem sofrer tanto. Ainda mais nesta função em que o camisa 10 foi escalado no sábado, como um meia interno do 4-1-4-1, a exigência física para fazer o vai-e-vem do meio-campo é altíssima. Por isso, é melhor tê-lo em grande nível por 50 ou 60 minutos, do que ver o time inteiro se esforçar para tapar buracos na reta final.

1 Comentário

  1. Janderson 21 de maio de 2017 Reply

Adicionar um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *