Mais do que o Botafogo, Grêmio superou a si mesmo para chegar à semifinal da Libertadores

Foto: Lucas Uebel (Grêmio)

Seja você gremista ou botafoguense, esqueça o lado torcedor e admita: o Botafogo era um intruso nas quartas-de-final da Libertadores. Com um elenco nada mais do que mediano, o time carioca surpreendeu desde as fases iniciais, quando foi eliminando Olimpia, Colo-Colo, Estudiantes, Atlético Nacional de Medellín e Nacional de Montevidéu. Méritos do técnico Jair Ventura, que através da aplicação tática e um jogo totalmente voltado ao contra-ataque e bola parada, compensou a baixa qualidade técnica de seus atletas (com raras exceções). Não é nenhum desrespeito à “Estrela Solitária”, mas tampouco maquiar a verdade ao transformar jogadores como Rodrigo Lindoso, João Paulo Miór, Rodrigo Pimpão e Roger em super-heróis. O Botafogo bateu no teto há horas. Com isso, diminuo a vitória e a classificação do Grêmio à semifinal? Não! Pelo contrário. Quero aqui ressaltar o fato do Grêmio ter superado suas limitações temporárias. O próprio Grêmio foi o adversário mais forte que o Grêmio encontrou nesta quarta-feira.

Sem Luan, Renato manteve o 4-2-3-1, mas suas escolhas fizeram o Grêmio perder agressividade

Ao perder Luan por lesão, o técnico Renato Portaluppi precisava reinventar sua equipe. Douglas, Lincoln, Gastón
Fernández, Miller Bolaños… Todos jogadores que poderiam chegar próximo da movimentação do camisa 7 não estavam à disposição. Somando a isso a venda de Pedro Rocha, a equipe gremista perdeu agressividade. As escolhas iniciais de Renato mostraram-se insuficientes: Léo Moura como extrema-direita, Ramiro como armador e Fernandinho pela esquerda. A posse de bola (principal virtude desde os tempos de Roger Machado) tornou-se improdutiva. Com quase 70% de posse, o Tricolor só havia finalizado a gol uma vez – no travessão, em bola que sobrou para Fernandinho após cobrança de lateral. Já o Botafogo, com toda sua limitação técnica, mas com um modelo de jogo bem definido, levou perigo a Grohe em três oportunidades (Bruno Silva em escanteio, depois em chute de fora da área que acertou a trave e com Carli cobrando falta) – sem contar a furada de João Paulo dentro da área. Não seria nenhum absurdo se o Botafogo tivesse ido para o intervalo vencendo por 1 a 0. Até por conta dessa inoperância, Renato mexeu no time ainda no primeiro tempo.

A substituição de Renato não fez o Grêmio reproduzir seus melhores momentos da temporada, mas fez com que o cenário melhorasse. Léo Moura deixou o campo para a entrada de Everton. O camisa 11 entrou aberto pelo lado esquerdo, repetindo as ações antes executadas por Pedro Rocha; enquanto que Fernandinho abriu pela direita. É do lado direito que Fernandinho tem melhor desempenho – isso porque, por ser canhoto, pode puxar a bola para o meio e arriscar chutes de longa distância. Preso do lado esquerdo, Fernandinho não tem outra alternativa que não levar a bola para a linha de fundo, para seu pé preferencial. Com uma leve melhora, o Grêmio superou o adversário viril, porém frágil tecnicamente, graças a lançamentos e cruzamentos para a área. Até o duelo contra o Barcelona de Guayaquil, pela semifinal, o cenário vai mudar. Luan poderá estar totalmente recuperado de lesão, e fazer com o que o Tricolor execute seu jogo de passes e infiltrações. O Grêmio será outro, bem melhor do que este que foi obrigado a atuar diante do Botafogo.

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