Esqueça o apelido de Gordiola! Quem é mesmo Guto Ferreira?

interDentre os nomes cogitados, entendo que Guto Ferreira é o mais sóbrio para o momento do Inter. Embora tenham personalidades diferentes (um mais calmo e o outro sem papas na língua), Marcelo Oliveira e Levir Culpi são muito parecidos nas metodologias de trabalho. Apesar dos bons resultados com Coritiba, Cruzeiro e Palmeiras, o primeiro não goza de bom prestígio quando o assunto é mecânica de jogo. A demissão no Atlético-MG antes da decisão da Copa do Brasil contra o Grêmio fala por si só. Para o segundo, vale o mesmo. Recentemente, conquistou a Copa do Brasil com o mesmo Galo. Mas se formos lembrar, tratava-se de uma equipe que encurralava seus rivais no Horto, na base de ligações diretas, muita intensidade (entrega física) e alta carga emocional das arquibancadas. De Vanderlei Luxemburgo não há nem o que falar. Já se vão alguns anos sem um trabalho minimamente condizente com seu antigo status de ‘Mister Brasileirão’. Sobrou então Guto Ferreira. Mas quem é ele?

Esqueça o técnico interino campeão gaúcho de 2002. De lá para cá, rodou por clubes pequenos de Brasil e Portugal. Também não tire por base o apelido jocoso que recebeu: Gordiola, em referência ao ex-técnico do Barcelona e atualmente no Manchester City, com quem ele não tem nenhuma semelhança física e nem na metodologia de futebol. Guto é um técnico elogiado pelos seus últimos trabalhos por levar equipes medianas a jogar um futebol acima da expectativa, inclusive surpreendendo grandes do futebol brasileiro. Mais do que isso, pelo cenário que o Inter encontrará na Série B, casa com as ideias da direção de uma equipe que proponha o jogo, sendo capaz de envolver adversários através de troca de passes e infiltrações, sem se descuidar dos contra-ataques. Além do mais, analisando suas três últimas equipes, dá para se perceber um padrão tático. Todas formatavam-se no 4-2-3-1, com os extremas baixando as linhas conforme o time fique sem a bola, e a subida do meia para dar o bote na saída adversária junto do centroavante. Resta saber se isso será o bastante para conseguir se adaptar à exigência muito maior que vai encontrar no Beira-Rio e que já fez de Antônio Carlos Zago uma vítima. Outro fator é que, por ser um teórico (não um ex-atleta), Guto deixe a desejar no fator motivacional. Aliás, não espere um técnico vibrante à beira do campo.

bahia– Bahia: acesso à Série A em 2016 (4º lugar) e título da Copa do Nordeste 2017
“O time tem padrão e organização desde o início do ano. Ele peca muito por não gostar de jogadores da base. E outra: fora de casa, o Bahia tem sempre uma postura reativa. Como os jogadores estavam acostumados a jogar em casa propondo o jogo, o Bahia se perdia, tomava pressão, ficava acuado e ninguém entendia por que o Guto não colocava o time para jogar da mesma forma. Fora isso, é muito bem quisto pelo grupo.”
Pedro Sento Sé, comentarista da Rádio Sociedade e Record TV Itapoan, de Salvador.

chapecoense– Chapecoense: campeão catarinense 2016

“”Vinha fazendo uma boa campanha quando trocou a Chape pelo Bahia, mas deixou de legado ao Caio Júnior aquele grupo que chegou à final da Sul-Americana e, infelizmente, houve aquela tragédia na Colômbia. Ele é muito competente, trabalha muito com os auxiliares e tem uma capacidade muito boa de gestão. Consegue trazer os jogadores para seu lado, sem ser muito paternalista. Tem uma leitura tática muito boa e, para mim, está preparado para assumir um grande equipe. Talvez o ponto negativo seja o fato de poupar jogadores. Se tem duas partidas na mesma semana, ele preserva.”

Rodrigo Goulart, editor de esportes e colunista do jornal Diário do Iguaçu, e repórter da Rádio Chapecó

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