DOSSIÊ LANÚS: posse de bola e troca de passes esperam o Grêmio na final

No 4-1-4-1, Lanús prioriza a saída de bola pelo chão, com troca rápida de passes e amplitude

Imaginem um pequeno clube da região metropolitana de Porto Alegre – como Cruzeiro, São José ou Novo Hamburgo – chegando a uma final de Libertadores. Parece um acidente de percurso total! Mas estamos falando do Lanús, que se auto-intitula “o clube de bairro ‘más grande’ do mundo” e que vem colocando à prova um projeto de futebol bem praticado e não com aquele estilo que nos acostumamos a ver os “times pequenos”. Ou seja, sem retranca, ligações diretas, cruzamentos a esmo e nem pontapés (nem mesmo depois de estar perdendo por 2 a 0 dentro de casa contra o gigante River Plate). Treinado há mais de um ano por Jorge Almirón, a equipe se utiliza da troca de passes, linhas altas e muita intensidade – escola de Marcelo Bielsa e Jorge Sampaoli. Os argentinos atuam no 4-3-3, que varia para o 3-4-3 com a posse da bola (recorrem à saída de três e, muitas vezes, contam até mesmo com o goleiro fora da área para ajudar no início da construção da jogada). Por conta dessa postura, explica-se o fato de serem a equipe que mais trocou passes na Libertadores até aqui: uma média de 414 passes certos por jogo, enquanto o Grêmio vem logo atrás com 364. Até chegar à inédita final, ainda enfrentaram Nacional-URU, Chapecoense, Zulia-VEN, The Strongest-BOL e San Lorenzo, obtendo 6 vitórias, 2 empates e 4 derrotas. Marcaram 19 gols e sofreram 11. A vaga para a Libertadores veio graças ao título argentino, conquistado no ano passado depois de uma goleada de 4 a 0 sobre o San Lorenzo. Em fevereiro, ainda conquistaram a Supercopa contra o River Plate – que também foi vítima na semifinal do torneio continental. Mas para não dizer que só há elogios, façamos uma crítica: a equipe sofreu gol em praticamente todos os jogos – inclusive do inexpressivo Zulia-VEN. Em parte pela maneira como o time se expõe, subindo as linhas defensivas para próximo do meio-campo, deixando seus zagueiros lentos vulneráveis ao contra-ataque. Além disso, a tentativa de sair jogando sempre com a bola pelo chão pode ser alvo fácil da pressão alta dos atacantes rivais, como já aconteceu na semifinal contra o San Lorenzo, por exemplo.

Lateral-esquerdo Maxi Velázquez é o capitão do time (Foto: Lanús)

– Esteban Andrada: Não era o goleiro titular no título argentino do ano passado. Ganhou a posição neste ano muito por conta da habilidade de jogar com os pés. Hoje tem 26 anos, mas surgiu nas categorias de base do próprio Lanús, chegando a ser convocado para a seleção sub-20 da Argentina. Pela característica da equipe, costuma jogar adiantado e inclusive arrisca dribles nos atacantes rivais. Esse é um fato que pode ser bem explorado pelo Grêmio, tanto para pressioná-lo como também para arriscar chutes de fora da área.

– José Luis Gómez: Cria do Racing, o lateral-direito de 24 anos foi emprestado ao Lanús no ano passado e aprovou – tanto que acabou sendo comprado em definitivo no meio desta temporada. Depois de disputar as Olimpíadas no Rio, foi convocado por Jorge Sampaoli para a seleção principal da Argentina.

– Rolando Guerreño: Zagueiro paraguaio, de 27 anos, atua no futebol argentino desde 2010, quando atuou por clubes menores como Defensa y Justicia e Unión até chegar ao Lanús nesta temporada. Iniciou como reserva de Marcelo Herrera, mas ganhou a posição nos últimos jogos.

– Diego Braghieri: Há duas temporadas no Lanús, o zagueiro canhoto de 30 anos é uma das lideranças da equipe. Viril, atende ao estereótipo do ‘xerifão’, mas tem como ponto fraco a lentidão.

– Maxi Velázquez: O experiente lateral-esquerdo, de 37 anos, é o capitão do time. Já são 12 temporadas defendendo a camisa granate.

– Iván Marcone: Volante de boa estatura (1,84cm), joga posicionado à frente dos zagueiros, recuando entre eles para iniciar a construção ofensiva. Criado no Arsenal de Sarandí, está no Lanús desde o ano passado. Nesta Libertadores, notabiliza-se por ser o jogador que mais desarmou e mais deu passes certos. Tem 29 anos.

– Román Martínez: O camisa 10 está há duas temporadas no Lanús. Com 34 anos, é um dos únicos titulares que já teve passagem pelo futebol europeu (atuou por Tenerife e Espanyol). Na Argentina, também jogou no Estudiantes, Tigre e Arsenal de Sarandí.

O ágil atacante Acosta é um dos jogadores mais perigosos do Lanús (Foto: Lanús)

– Nicolás Pasquini: Canhoto, de 26 anos, era reserva da lateral esquerda até o ano passado. Aos poucos, ganhou vaga como titular atuando no tripé do meio-campo pelo lado esquerdo. Surgiu no pequeno Atlanta e está no Lanús desde 2012.

– Alejandro Silva: Uruguaio, de 28 anos, já perdeu uma final de Libertadores quando defendia o Olímpia-PAR, derrotado pelo Atlético-MG em 2013. Em sua terra natal, atuou por Fénix e Peñarol. Pode jogar também na lateral direita. Silva é o jogador que mais deu assistências para gols no elenco (4). Em todo o certame, fica atrás apenas de Lucas Lima (Santos), que deu 6.

– Lautaro Acosta: Oriundo das categorias de base do Lanús, chegou às seleções de base, inclusive fazendo parte do grupo que conquistou o ouro olímpico em 2008, em Pequim (ao lado de Messi, Di María e Aguero). Depois de passagem por Sevilla, Racing Santander e Boca Juniors, retornou a La Fortaleza em 2013. Atacante aberto pelo lado esquerdo, é o jogador que mais sofreu faltas nesta Libertadores. Duas destas faltas, inclusive, originaram pênaltis em favor do Lanús. Ao mesmo tempo, de tanto apostar no drible, é o atleta que mais perdeu a posse da bola.

Centroavante Sand é o goleador da Libertadores com 8 gols (Foto: Conmebol)

– José Sand: Cria das categorias de base do River Plate, o centroavante é o mais experiente do elenco. Com 37 anos, já rodou por inúmeros países, como Brasil (Vitória), Emirados Árabes (Al Ain), Espanha (La Coruña) e México (Tijuana). Com 8 gols, é ele o artilheiro da Libertadores até aqui, empatado com Scocco (River Plate-ARG). Aparece empatado com Jonatan Álvez (Barcelona-EQU) e Guerrero (Flamengo) como o jogador que mais finalizou à meta adversária: 17 vezes. Por ser tão acionado, também é o atleta que mais vezes apareceu em posição de impedimento.

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