Como o recuo de D’Alessandro fez o Inter equilibrar ações contra um Grêmio superior

Barrios estreou, Bolaños fez gol, mas foi D’Alessandro o estrangeiro que mais chamou a atenção no Gre-Nal 412. De volta ao clássico gaúcho, o capitão colorado atuou em três posições diferentes e se tornou o personagem do jogo. Não balançou as redes ou sequer viu o Inter vencer. Se bem que, considerando que o Grêmio tem um time melhor e um elenco mais vistoso (que ilustra bem os momentos opostos das duas equipes), os colorados puderam comemorar o empate em 2 a 2.

grenal1

Equipes mantiveram seus sitemas táticos: Grêmio no 4-2-3-1, Inter com tripé de volantes

– Bases mantidas

As escalações inicias não apresentaram surpresas. Mesmo com a ausência do capitão Maicon, Renato manteve a mesma base de equipe gremista, escalando apenas Michel no meio-campo e deixando Barrios como arma no banco de reservas. No Inter, Zago deu sequência ao tripé de volantes, com D’Alessandro sem o compromisso de recompor sem a bola. A postura abriu um clarão no lado direito da defesa vermelha, bem explorado no contra-ataque que gerou o gol de Bolaños. Aliás, se o Tricolor tivesse marcado mais gols na primeira etapa não seria nenhum absurdo. Impondo uma marcação alta e um jogo muito mais vertical, o Grêmio só sofreu em duas finalizações de fora da área com o lateral Carlinhos. Houve também a reclamação de um pênalti sobre Pedro Rocha (que na minha opinião ocorreu). Foi praticamente o jogo de uma equipe só.

– D’Alessandro volante: a surpresa de Zago

Na volta do intervalo, o técnico colorado fez duas substituições. Sacou Charles e Carlos, lançando Roberson e Nico López para compor o trio de ataque com Brenner. A surpresa maior ficou pelo recuo de D’Alessandro, que passou a atuar como um volante pela direita, na função de Charles. De frente para a área rival, o argentino tinha campo para pensar e distribuir a bola, tendo participado do nascedouro dos gols de Roberson e Brenner. Foram mais ou menos 15 minutos de paralisia gremista, sem encaixar a marcação na nova formatação colorada – principalmente o novo posicionamento de D’Ale.

grenal3

Após intervalo, D’Alessandro foi recuado como volante e desencaixou marcação gremista

 – Pressão do Grêmio e superação colorada

A virada do Inter obrigou Renato a agir. A saída imediata foi promover a estreia de Barrios na vaga de Pedro Rocha, alterando o posicionamento de Luan. Completamente isolado entre os zagueiros vermelhos, o paraguaio mal tocou na bola. A segunda ação então foi o recuo de Ramiro, a saída do volante Michel e a entrada de Fernandinho. A substituição justificou-se pelo gol em jogada individual do atacante (chute de fora da área), mas o Grêmio seguia sem produção criativa pelo meio. Entretanto, Carlinhos sentiu lesão muscular e modificou o panorama do jogo novamente. Com as três substituições já feitas, o Inter obrigou-se a atuar com o lateral arrastando-se no ataque, praticamente com um atleta a menos. O Grêmio atirou-se ao ataque, contra um Inter fechado em duas linhas de quatro. D’Alessandro transformou-se então em auxiliar de lateral-esquerdo, dando carrinho até na linha de fundo. Era o momento de superação colorada contra um Tricolor, naturalmente superior, que partia para o “abafa”. Foi um dos melhores Grenais dos últimos tempos, bem jogado e pensado. Tenso, mas de bom futebol e mudanças táticas.

grenal2

Com a lesão de Carlinhos e sem poder fazer mais trocas, Inter se fecha em duas linhas; enquanto Grêmio empilha atacantes em busca da vitória

Adicionar um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *