Além da goleada, mérito gremista foi se reinventar no campo enlameado de Chapecó

Foto: Lucas Uebel/Grêmio

O Grêmio já teve atuações mais plásticas do que a apresentada nesta quinta-feira em Chapecó. Isso é uma crítica? Não, uma constatação de que não havia como praticar o jogo de passes que caracteriza o time desde o ano passado. O que enaltece ainda mais a apresentação (além, é claro, do placar de 6 a 3) é a capacidade que o Tricolor mostrou de se reinventar em um gramado castigado pela chuva. Parece pouca coisa jogar em um campo com lama, mas não é. A grande Hungria de Puskás sucumbiu ao barro de Berna e perdeu uma Copa do Mundo em que era favorita. Não quero aqui, obviamente, comparar o Grêmio aos húngaros, tampouco a Chapecoense à Alemanha de 1954. Porém, é preciso destacar que, para quem tem este modelo de jogo, é fácil atolar em um terreno hostil, enquanto quem aposta na bola aérea e no jogo físico, se dá melhor. Portanto, o mérito de Renato e seus comandados foi justamente se adaptar a isso e somar mais 3 pontos no Brasileirão.

Equipes espelhadas: Grêmio no 4-2-3-1, Chapecoense no 4-1-4-1

Taticamente, as equipes iniciaram espelhadas. Ou seja, o Grêmio com seu tradicional 4-2-3-1 e a Chape no 4-1-4-1, encaixavam perfeitamente a marcação de seus atletas. Isso, por si só, daria um jogo enrolado no meio-campo. Acrescente aí as péssimas condições do gramado e os gols no primeiro tempo falam por si só: Michel tentando fazer lançamento para Ramiro encobriu o goleiro sem querer, depois o volante cabeceou em cobrança de falta de Luan, e Marcelo Grohe escorregou com a bola para dentro do gol em falta cobrada por Luiz Antônio. Tecnicamente, a partida deixava a desejar. Apresentava emoção, jogadas ríspidas e muita imposição física. Só!

Eis que surgiu a ousadia de Renato Portaluppi. Ao ver Barrios sentir lesão muscular, ele bem que poderia ter colocado um volante e segurado o placar (eu teria feito isso, por exemplo). Mas a escolha foi por Everton e casou perfeitamente com o momento do jogo. Empurrado para trás pelo jogo físico dos anfitriões, o Grêmio baixou suas linhas e ganhou campo para o contra-ataque – o que explica o fato do camisa 11 ter deitado e rolado em cima da defesa catarinense. Conforme a Chapecoense se abria para buscar o empate, mais espaço Luan ganhava para ‘pifar’ seus companheiros. Usando titulares, é difícil o Tricolor ter menos posse de bola e trocar menos passes que seu adversário. Foi o caso desta noite e se entende: a partida exigia outra postura. O que mais chamou a atenção foi a eficiência do ataque: de sete finalizações em gol durante os 90 minutos, foram seis gols marcados. Do time de toque envolvente, o Grêmio passou ao jogo reativo sem culpa nenhuma e, em questão de minutos, facilitou o que tinha tudo para ser complicadíssimo. Que maturidade! Não há dúvidas mais sobre qual equipe apresenta o melhor futebol no Brasil atualmente. O que se viu agora é que, quando necessário, o time de Renato também se reinventa para um futebol mais eficiente e menos encantador. Tal capacidade, por exemplo, faltou aos húngaros de 1954. Mas como não queremos compará-los, esqueça que foram citados aqui!

Com entrada de Éverton no lugar de Barrios, o Grêmio explorou o campo que tinha para o contra-ataque

2 Comentários

  1. João Carneiro 9 de junho de 2017 Reply
  2. João Carneiro 9 de junho de 2017 Reply

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