A mudança que fez o Grêmio embalar no Gauchão

O Grêmio já era favorito ao título gaúcho desde a primeira rodada. Mas, convenhamos, as atuações não foram convincentes por um bom tempo – prova disso é que, com toda a qualidade técnica à disposição de Renato Portaluppi, a equipe terminou a fase classificatória em 3º lugar (seis pontos atrás do líder Novo Hamburgo). Contudo, o time agora parece ter engrenado. A goleada de 5 a 0 sobre o Veranópolis neste sábado mostrou que não são mais apenas bons jogadores espalhados em campo. Agora há também uma engrenagem funcionando. E é importante entender o que de fato ocorreu, para dar continuidade e enfim colocar a mão na taça estadual.

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Através do mapa de calor, percebe-se o quanto o Grêmio passou a usar melhor o lado direito com Edílson, Ramiro e Léo Moura juntos

– Mecânica pelo lado direito

O sobrenatural age sobre o inconsciente das pessoas. Há quem acredite que uma camisa da sorte, o sinal da cruz antes de pisar em campo ou outras coincidências guiam a equipe para a vitória. Acreditar que concentrar dois dias antes dos jogos pode ter feito o Grêmio encaixar faz parte deste imaginário popular. Pode ter contribuído para fazer os atletas descansarem melhor, se alimentarem sob os cuidados da nutricionista, mas este não é o fato preponderante. Pense bem: o que de fato aconteceu desde a penúltima rodada da fase classificatória (4×0 sobre Juventude). Foi ali que, com o retorno do lateral Edílson, Léo Moura foi deslocado para o corredor direito do meio-campo. Assim, Ramiro teve de abandonar aquela faixa do campo, sendo recuado para a função de volante – dando, inclusive, uma dinâmica diferente da que Jaílson oferecia. Com a combinação entre estes três atletas, mais o recuo de Luan, o Grêmio concentra o seu jogo pelo lado direito, usando o lado esquerdo através da inversão de jogadas para finalizar com a velocidade de Pedro Rocha e Bolaños. Isso explica porque, na primeira fase, o Tricolor não teve desempenho sequer parecido contra o mesmo Veranópolis.

– Marcação-pressão

Uma das grandes virtudes do Grêmio deste ano tem sido a marcação-pressão na saída de bola adversária. Contra rivais que tentam propor o jogo desde os zagueiros, a arma tricolor se mostra letal. Foi assim no primeiro tempo do clássico Gre-Nal e nos 15 minutos iniciais diante do VEC. No primeiro gol, por exemplo, antes de completar um minuto de jogo, Bolaños deu o bote sobre o zagueiro Zé Roberto forçando-o a um recuo equivocado para o goleiro. No segundo, Luan foi o responsável por desarmar o meia Eduardinho, que já estava cercado por Marcelo Oliveira. A partir dali, o próprio Luan iria evoluir com a bola e tabelaria com Bolaños para sacramentar a classificação. Dificilmente a equipe terá pernas para empregar esta intensidade toda durante os 90 minutos. Porém, se nos minutos iniciais o efeito for positivo, depois é só administrar a vantagem (como de fato ocorreu). A ideia é: quanto mais perto do gol for o desarme, mais próximo de marcar estará o seu time.

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Primeiros dois gols surgiram através de “blitzes” de Bolaños e Luan sobre os defensores do Veranópolis

Tanto atacantes como jogadores que atuam pelo lado direito do meio-campo trocam de posições durante o jogo

Tanto atacantes como jogadores que atuam pelo lado direito do meio-campo trocam de posições durante o jogo

– Troca de posições no ataque e pelo lado direito

Lucas Barrios foi a principal contratação da temporada. É o “fazedor de gols” pedido desde o ano passado. Porém, neste momento, é reserva. Não por falta de qualidade técnica, mas porque o encaixe ofensivo do Grêmio se deu perfeitamente sem a presença de um centroavante de área. Para quem pensa que Bolaños é o substituto de Douglas, engana-se. O equatoriano é a referência da equipe, o que não imputa a ele uma necessidade de estar fixado entre os zagueiros. Pelo contrário, ele tem total liberdade para cair pelas pontas. Assim como Luan, que flutua às suas costas, volta para tabelar com os extremas Léo Moura e Pedro Rocha e até trocar de posição com eles. Da mesma forma, Edílson, Ramiro e Léo Moura fazem o mesmo pelo setor intermediário. Não é a invenção da roda. A troca de posições e a marcação-pressão foram atributos “inventados” pelos soviéticos nas décadas de 40 e 50. Contudo, servem para elucidar este Grêmio que se credencia com larga vantagem ao título gaúcho de 2017.

2 Comentários

  1. Jj 9 de abril de 2017 Reply
  2. Conrado 9 de abril de 2017 Reply

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